Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

vox nihili

12
Set18

Conotações

vox nihili

rotulo.jpeg

Estes dias não têm sido bons.

Mas tudo bem, temos o direito de nos podermos sentir mais em baixo, sem que consequentemente tenhamos de sentir culpa.

Recentemente alguém me disse, a sociedade quer ver-nos sempre a sorrir, como se a tristeza não fosse também uma emoção válida.

Há pessoas com uma expressão reflexiva mais triste.

Há pessoas mais introspectivas que outras, assim como também há pessoas mais extrovertidas.
Repararam no que estou a fazer agora? A arranjar rótulos. E é isso mesmo que a sociedade faz connosco e, pior que isso, associam-se conotações mais negativas e positivas.

Aprendi isto numa sessão de terapia esta semana. Não tem mal estar triste nem mesmo em transmitir isso pela nossa aparência. Está sim, tudo bem, em falar acerca disso ou não.

Às vezes não há outra forma possível de estar. E está tudo bem!

31
Mar18

"O que se encontra no meio de papelada?"

vox nihili

Narrativas!

 

Fiz a que se segue em contexto de formação, para aí quase há 2 anos. Não sou boa no que toca à memória e, pelos vistos, nem à organização! Ou não estaria a maior parte do dia a procurar um folheto A5 no meio de edíficios de folhas A4.

carta já me tinha dito até vezes sem conta que devia postar isto, que até me fornecia a fotografia que lhe mandei na altura.

Tenho de confessar que vou alterar algumas falas e substituir algumas palavras por outras. Porém, mantendo a sua essência.

Tenham em conta que não é nem nunca foi de todo, o meu forte.

Ora, já estou a esticar-me muito. 

 

Eis a dita cuja:

 

"A raiva e a tristeza encontraram-se no bar "Introspecção Excessiva". Era um bar situado em Viena, sombrio, no meio de um cruzamento ambivalente, – que juntava a Rua da Esperança à do Desalento. Decorria o ano de 1919 e era aquele, na altura, o bar predilecto das emoções.

A tristeza, azul e pálida suspirava, enquanto a raiva, de tez vermelha escurecida, tentava localizar uma vítima para alguma das suas frustrações.

Chegou a alegria de braço dado à memória. A raiva e a tristeza olharam imediatamente de soslaio, tentando prever o que aí viria.

 

A alegria aprochegou-se de forma desenfreada, fazendo com que o seu corpo composto de lantejoulas douradas chocasse contra o da tristeza, que por sua vez, se encolheu tanto que ficou sem ar.

— Tu és sempre a mesma coisa! – praguejou a raiva, ao mesmo tempo que o vermelho escurecido do seu corpo se esvaía em fumo.

Prontamente a memória colocou água na fervura.

— Vamos ter calma e tentar criar bons momentos entre nós. Afinal de contas, dependemos uns dos outros, queiramos ou não. – disse, um tanto cansada, coberta por um manto de luzes intermitentes.

Todos os dias se originava uma discussão sem que qualquer motivo significativo que o justificasse.


Entrou um senhor no bar. Era o Dr. Freud.

Juntou-se ao grupo das emoções de uma forma despreocupada e sentou-se.

— Queria um shot esquizofrénico, por favor. – pediu quando apanhou um empregado a passar pelo corredor. 

Chegou o shot, de cor azul noite, tão depressa quanto foi ingerido.

Freud ficou de cara com aqueles seres e, imediatamente, sentiu o ambiente hostil entre o grupo.

Procurou freneticamente algo nos bolsos e estendeu o seu braço até ao centro da mesa, onde pousou um cartão com uma morada.

— Passem por lá. – sugeriu. Deixou moedas em cima da mesa e foi embora, visivelmente apressado."