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vox nihili

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07
Mar18

Eduquem-se

vox nihili

 

Hoje escrevo com a alma ferida.

Depois de muito ponderar acerca de o quão negativo este cantinho se iria tornar.

Mas a alma ferida não é de hoje, nem de uma semana, nem de um mês, nem de um ano.

 

"Sou mimada e não tenho preocupações para ter tantos pensamentos impulsivos", já para não falar de que "não irei conseguir sustentar-me," segundo alguém hoje me disse. 

Tenho uma palavra a dizer a quem julga que as inúmeras doenças mentais que se conhecem e até as que ainda se virão a conhecer, dependem desses factores: EDUQUEM-SE. Deixem de ser ignorantes. 

Não conseguem entender, não digam nada.

Não se trata de sermos mimados ou de não termos preocupações, antes pelo contrário.

Preocupamo-nos em demasia ou tornamo-nos apáticos. Escondemo-nos ou afundamo-nos em vícios para disfarçar os sintomas.

 

Há quem morra de doenças mentais por se sentir ridicularizado ou por sentir que ninguém os compreende.

 

Tem de ser mais abordado, melhor entendido, de forma a que se pare com o estigma de uma vez por todas.

 

No meu caso, a cada vez que alguém que eu tomo como um suposto apoio, desvaloriza o que sinto ou digo sentir, mais eu me sinto culpada (de quê?); mais eu sinto que me afundo.

Tenho sorte em ter amigos que nas alturas difíceis estão cientes do que sinto e que me vão aturando.

 

21
Fev18

recaída

vox nihili

Vem de forma gradual.

Mas existe a vantagem de por vezes se ter algum conhecimento dos sinais de recaída, graças aos anos e anos de batalha. Embora, por vezes, não estejamos preparados para lidar com.

Cansa imenso tanto física como mentalmente. Chegamos a um ponto em que sentimos que nos vai rebentar uma veia qualquer no cérebro, devido à pressão imensurável que sentimos na cabeça. Não só na cabeça; no peito; na garganta.

Uma sensação de despersonalização que nos faz acordar de uma hibernação mental instântanea.

A meio do estágio/trabalho. A meio do caminho para casa. A meio de uma conversa. A meio de um descanso no sofá.

As mãos tremem constantemente e as pernas começam a tremer a cada passo que damos,  - isto não é figurativo, - e a nossa memória parece cada vez mais deteriorada.

 

Começamos a questionarmo-nos acerca da falta que fazemos ou não.

Começamos a idealizar situações que queremos muito colocar em prática para acabar de uma vez por todas com o sofrimento. Cada vez mais com uma naturalidade cortante e fria.

Porque tudo isto não faz sentido. Levar uma vida em que nos sentimos cada vez mais inúteis. Sempre com um sentido de inadequação que não passa, nunca. Somos estranhos e paranóicos. A nossa personalidade é oca. Pensamos nós.

 

Há dias desabafava com um amigo, que me tem ajudado bastante ultimamente, e ele disse-me algo que me ficou na cabeça pelo sentido que fazia: acabamos por idealizar situações em que nos magoamos devido à negligência de outros.

Não fomos ouvidos o suficiente. Se calhar a forma como nos disseram a frase x não foi a mais correcta ou foi até mesmo ignorante. Que não é nada de especial porque não é físico. Como se fosse algo apenas unidimensional. 

 

Não gosto mesmo nada de ser a pessoa que diz o que se segue, mas entendo que acaba por ser verdade: "só quem passa por isto, consegue verdadeiramente entender".

 

Estou exausta.

 

 

 

(posts mais frequentes e alegres surgirão quando possível)

 

 

 

 

29
Ago17

Ansi-depressão

vox nihili

Estive a ponderar durante uma imensidão de tempo acerca do post que se segue. Praticamente durante um mês, tendo em conta a data do meu último post, onde referia o meu desespero por férias.

 

 

Hoje escrevo sobre ansiedade e depressão - algo que a meu ver devia ter mais visibilidade. Mais uma vez, hesitei muito porque pensei que não fosse um tema adequado para um blog no sapo, por achar (erradamente) que, por aqui só deveria falar de situações neutras, alegres ou meramente opinativas e não de assuntos tão pessoais. Basicamente estava a ser contraditória, porque para que haja visibilidade, temos de, inevitavelmente, contornar a vergonha e dar conhecimento daquilo que nos é tão recôndito.

 

É algo que está sempre presente na minha vida, com a qual tenho vindo a aprender a lidar. 

Comecei por sentir um cansaço acumulativo, isto é, por mais que passasse a maior parte do tempo na praia sem fazer nenhum, por mais que saísse com os meus amigos e tivesse tempo para dormir até às tantas, o cansaço acumulava, gerando irritabilidade e não havia forma de me sentir relaxada. 

 

Não liguei muito de início, pensei que apenas teria de deixar de sair tanto e ficar por casa uns dias.

 

A partir daí tem sido sempre a descer.

 

Comecei a acomodar-me no isolamento, a tornar-me obsessiva e a sentir-me paranóica. A minha mente começou a fazer de tudo para que eu sentisse que não tenho qualquer valor para os outros; que sou um fardo.

Comecei a sentir uma empatia emocional excessiva, tomando os problemas alheios como meus, como se ao tentar estar na pele dos outros, a minha deixasse de me pertencer. 

 

Tendo já sido medicada e tendo aprendido uma série de técnicas para suprimir estes padrões comportamentais, seria de esperar que o conseguisse fazer. Muitas vezes até recorria a uma expressão que costuma resultar muito bem comigo: "Relativizar, relativizar sempre!"

 

Mas chegou a um ponto em que não estava a resultar e comecei a sentir-me fechar em mim própria. 

 

Comecei a ter dificuldade em adormecer, juntamente com pesadelos constantes. Ao acordar comecei a pensar nos dias que tenho pela frente como um desafio, ansiando que a noite chegue.

 

Não gosto muito de falar deste meu lado, mas a ideação suicida, - que confesso ser algo que parece cada vez mais inerente à minha personalidade - começou a intensificar-se. É mais intensa ainda quando sinto um sufoco na garganta. Ironicamente parece um mecanismo de defesa no sentido em que se pensa que para tal sofrimento existe uma solução tão definitiva. Somos mesmo os nossos piores inimigos. 

 

Há tanta mas tanta coisa que creio que fica ainda por escrever sobre este assunto, mas eu fico-me por aqui acerca dos meus sintomas.

 

Existem muitos casos diferentes com sintomas diferentes. 

Existem vários tipos de tratamento e eu confesso ser um tanto ignorante acerca dos mesmos, até porque ou não são divulgados tanto quanto deveriam ou são caros. 

 

Todo este extenso desabafo/testemunho, não só para poder expressar-me no meu espaço acerca daquilo que achoimportante falar, mas também para falar do que terá sido o foco de um dos meus ataques de pânicos recentes: as consultas são caras e as listas são longas!

Estou à espera que me chamem desde há imenso tempo. Há toda uma descoordenação que não se entende e que se estende, de certeza, a tantas outras áreas. 

Tomei uma iniciativa e decidi marcar consulta. Na altura nem perguntei o preço, até porque primeiro que consiga fazer uma chamada para o que quer que seja, já é uma vitória. Tendo em conta o local, pensei que fosse um preço meramente simbólico. Descobri estar enganada quando pedi a outra pessoa que ligasse por mim de modo a saber.

 

Vou ter de adiar para daqui a uns dias.

Eu posso adiar, ainda que contra a minha vontade e cansaço mental. Mas existe quem simplesmente não possa pagar tais valores, resignando-se a listas de espera intermináveis, em locais onde muitas vezes não se é tratado(a) da melhor maneira - não querendo de todo entrar no perigo da generalização.

 

A saúde mental é importantissima. É importante falar dela e arranjar mecanismos para que, TODA A GENTE, SEM EXCEPÇÃO, possa ter a melhor qualidade de vida possível. Não pode continuar a ser tão desvalorizada nos tempos que correm, onde existe cada vez mais propensão ao desenvolvimento de doenças mentais, tendo em conta o ritmo frenético em que vivemos.