Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

vox nihili

vox nihili

29
Out17

Domingo em Peniche

vox nihili

Odeio Domingos.

No entanto, o de hoje valeu mais que qualquer sexta-feira. Fazia imenso tempo que precisava de acalmar a minha mente inquieta.

Entretanto comecei uma medicação nova, muito graças à ajuda da minha querida Mari, que insistiu para que eu fosse a uma consulta, muito contra a minha teimosia infantil. Acompanhou-me até lá e esperou enquanto eu era atendida. E eu só pensava em como seria um plano horrível para uma sexta-feira e como a arrestei comigo. Mas sei que faria o mesmo por ela.

Começo agora a relembrar o porquê de odiar tomar comprimidos: as malditas tonturas e moleza.

Mas... o que tem de ser tem muita força.

 

 

Continuando com o tema que me levou a escrever este post... Fui a Peniche.

 

P_20171029_144412.jpg

 Visitei o Museu Municipal e senti um sabor amargo ao ver as cartas censuradas que os presos escreviam para os seus familiares. 

Que quando eram visitados, os guardas podiam estar a 5 cm da cara do visitante para escutar a conversa. Enfim, tortura.

 

received_1709402635738071.jpeg

 

Vi ainda uma carteira virada para uma parede onde se podia ver pendurada uma foto de Salazar, um relógio e uma Cruz. Era um exemplo de uma escola no Estado Novo.

Devo dizer que quase que me via ali. Andei numa escola onde era obrigada a usar uma farda, onde nos faziam rezar e cantar o hino nacional antes das aulas iniciarem. Onde as reguadas, chapadas e ralhetes eram sempre a ordem do dia, por coisas que não vos passa pela cabeça. Lembro-me até de vomitar todos ou quase todos os dias antes de ir...

Estava a conversar com um grupo de amigos, que ao descrever tal coisa me perguntaram se eu nasci, de facto, nos anos 90. Ri, mas de facto há locais que ficaram impermeáveis ao 25 de Abril.

 

P_20171029_162522.jpg

 

P_20171029_161638.jpg

P_20171029_162321.jpg  (Dá para ver as Berlengas lá ao fundo)

 

Adorei a paisagem do Cabo Carvoeiro: os rastos que os barcos deixavam ao rasgar o mar; o feixe de luz do sol que quase cegava; o degradé do céu já ao final da tarde...

Soube-me pela vida. Já não pensei no dia a seguir e o trabalho que vem com ele.

É talvez esse um dos motivos pelos quais não gosto de Domingos.

Mas são dias como quaisquer outros, com o potencial de afastar qualquer réstia de angústia que decide dar ar de si, se para evitar a mesma, procurarmos sair e conhecer locais novos. É isso que terei de começar a fazer daqui para a frente.

 

Ah e claro, como me fui esquecer? 

received_1709298452415156_1.jpg

Comi um arroz de tamboril de chorar por mais. (Não literalmente, porque de uma dose e meia para 4 sobrou imenso).

 

Qual o próximo passeio?

 

 

(as fotos são todas da minha autoria)

27
Out17

O karma é lixado!

vox nihili

Queixava-me há uns dias acerca dos professores que dão matrizes com uma semana de antecedência, desejando-lhes um corte de papel muito discreto num dedo.

 

Acreditam que hoje recebi o teste desse mesmo professor e, ao mesmo tempo de não ter gostado muito da minha nota (14) - sou muito exigente como própria, como já o disse - ainda me cortei num papel?!

Terá sido algum sinal do karma?! A direcção da minha sede de vingança falhou no alvo!

Há coisas nesta vida...

 

 

 

 

25
Out17

Excessos

vox nihili

Preocupo-me excessivamente ou não me preocupo nada.

Coloco uma pressão excessiva em mim e nas minhas capacidades ou não sinto qualquer motivação.

Ligo excessivamente ao que os outros possam pensar de mim ou dos meus actos ou não estou para aí virada.

 

Enfim, não sei o que é levar a vida num meio-termo, isto é, de uma forma mais saudável.

Sinto que esta semana não passa e é só testes e mais testes...

Chego ao ponto de quase ir às lágrimas por frustração em relação a tudo aquilo que não estou a conseguir entender. Depois fico de tal forma concentrada naquilo que estou a sentir que já não consigo absorver nada de nada.

Coloco uma pressão fortíssima em mim própria e fico aflita só de pensar na falha que pode vir a ocorrer.

E não só... por muito ridículo que possa parecer, fico até a sentir uma pressão - que lá no fundo sei que é inexistente - por parte daqueles que acreditam em mim. No entanto, ninguém é tão rígido comigo como eu sou. De todo!

Estou a tentar desviar-me deste padrão de perfeccionismo doentio, mas sinto que já estou mais que formatada para tal.

 

Sugestões?

 

(Ponto positivo da semana: na última consulta de psicologia, aprendi a respiração diafragmática e fiquei muito surpreendida com a sensação de relaxamento. Não fico tonta, como a Dra disse que poderia acontecer, mas fico com um sono descomunal. Irei aprofundar num post futuro!)

22
Out17

Sede de vingança

vox nihili

Estão a ver aqueles cortes de papel minúsculos que nos fazem sentir que vão sair as tripas todas pelo dedo?

Aqueles que nos dão uma dor muiiiiiiito aguda e nos fazem impressão ao movimentar a mão?

 

Pois bem, é isso que merecem os professores que dão uma matriz para um teste com uma semana de antecedência, com matéria sobre a qual não deram a conhecer.

Como também não gosto de desejar muito mal a ninguém, pode ser na parte superior do mindinho da mão esquerda. Vá, direita se forem canhotos.

20
Out17

Toxicidade

vox nihili

Não sou boa com palavras.

Gosto de utilizar a música como veículo de expressão. É a forma através da qual sinto que me aproximo daquilo que quero dizer sentir. Vejo a minha reflexão nas palavras, nas letras. Talvez venha daí a minha dependência da música. 

 

Tinha ontem começado um post em tom de desabafo pela minha falta de paciência. Normalmente até costuma resultar bastante bem. Trata-se até de um dos objectivos deste blog: fazer com que me sinta mais leve.

No entanto teve o efeito completamente contrário. Acabei por ficar ainda mais frustrada e bastante irritada por estar a tocar nos assuntos que inicialmente me levaram a querer escrever.

Por vezes, o simples acto de descarregar toda esta toxicidade torna-se fisicamente cansativo. Não se consegue respirar. É como estar constantemente a correr maratonas.

Os dias tornam-se tão iguais mas cada vez mais excruciantes.

Preciso de férias desta cabeça. 

 

10
Out17

Solitude is bliss*

vox nihili

Gosto de estar sozinha. Afundada na minha música, ainda me sabe melhor. Talvez também por falta de paciência para rotinas já tão bem oleadas e para os outros.

Não é por mal.

Vou tendo os meus dias bons e menos bons. Mas sinto-me bem assim, sozinha. Sempre tive - e ainda tenho - dificuldade em lidar com a minha mente quando me isolo. Devido a pensamentos intrusivos, intensos, de culpa, de vergonha, de autocomiseração.

É também verdade que já tive mais paciência. E agora não tenho tanta. 

 

Em contrapartida, toda a terapia (alguma lírica) tem-me vindo a ensinar que o que eu penso e o que quero também é válido e importante. Não são só os outros que importam (por vezes até podem ser bem egoístas).

Atenção, somos todos egoístas até certo ponto, mas há que saber regular a torneira.

 

Para racionar o pouco plafond de paciência que muitas vezes temos, vale ouro aprender a apreciar a nossa própria companhia.

Até por uma questão de amor-próprio.

 

 *

 

Pág. 1/2