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vox nihili

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29
Out17

Domingo em Peniche

vox nihili

Odeio Domingos.

No entanto, o de hoje valeu mais que qualquer sexta-feira. Fazia imenso tempo que precisava de acalmar a minha mente inquieta.

Entretanto comecei uma medicação nova, muito graças à ajuda da minha querida Mari, que insistiu para que eu fosse a uma consulta, muito contra a minha teimosia infantil. Acompanhou-me até lá e esperou enquanto eu era atendida. E eu só pensava em como seria um plano horrível para uma sexta-feira e como a arrestei comigo. Mas sei que faria o mesmo por ela.

Começo agora a relembrar o porquê de odiar tomar comprimidos: as malditas tonturas e moleza.

Mas... o que tem de ser tem muita força.

 

 

Continuando com o tema que me levou a escrever este post... Fui a Peniche.

 

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 Visitei o Museu Municipal e senti um sabor amargo ao ver as cartas censuradas que os presos escreviam para os seus familiares. 

Que quando eram visitados, os guardas podiam estar a 5 cm da cara do visitante para escutar a conversa. Enfim, tortura.

 

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Vi ainda uma carteira virada para uma parede onde se podia ver pendurada uma foto de Salazar, um relógio e uma Cruz. Era um exemplo de uma escola no Estado Novo.

Devo dizer que quase que me via ali. Andei numa escola onde era obrigada a usar uma farda, onde nos faziam rezar e cantar o hino nacional antes das aulas iniciarem. Onde as reguadas, chapadas e ralhetes eram sempre a ordem do dia, por coisas que não vos passa pela cabeça. Lembro-me até de vomitar todos ou quase todos os dias antes de ir...

Estava a conversar com um grupo de amigos, que ao descrever tal coisa me perguntaram se eu nasci, de facto, nos anos 90. Ri, mas de facto há locais que ficaram impermeáveis ao 25 de Abril.

 

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P_20171029_162321.jpg  (Dá para ver as Berlengas lá ao fundo)

 

Adorei a paisagem do Cabo Carvoeiro: os rastos que os barcos deixavam ao rasgar o mar; o feixe de luz do sol que quase cegava; o degradé do céu já ao final da tarde...

Soube-me pela vida. Já não pensei no dia a seguir e o trabalho que vem com ele.

É talvez esse um dos motivos pelos quais não gosto de Domingos.

Mas são dias como quaisquer outros, com o potencial de afastar qualquer réstia de angústia que decide dar ar de si, se para evitar a mesma, procurarmos sair e conhecer locais novos. É isso que terei de começar a fazer daqui para a frente.

 

Ah e claro, como me fui esquecer? 

received_1709298452415156_1.jpg

Comi um arroz de tamboril de chorar por mais. (Não literalmente, porque de uma dose e meia para 4 sobrou imenso).

 

Qual o próximo passeio?

 

 

(as fotos são todas da minha autoria)

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